
Já anda em alta velocidade a escolha dos profissionais que vão assessorar candidatos a governadores e presidente, sem falar nos senadores e deputados. E, entre esses profissionais, há uma enorme quantidade de enganadores que conquistam o candidato nos primeiros encontros, levando conceitos que falam muito mais para seu cliente do que para a população.
Para vencer uma eleição majoritariamente - ou ao menos chegar perto disso - é preciso entender o comportamento de nossos eleitores. E, segundo pesquisas, a maioria dos que votam no Brasil é membro das classes econômicas C e D. Ou seja, são eles que fazem a diferença!
Em São Paulo, na última eleição para prefeito, houve uma surpresa geral pelo fato da grande vantagem inicial do candidato Celso Russomanno sobre todos os seus adversários. Vindo de programas populares de televisão, onde sempre afirmou defender o povo, o político, durante todos os meses que antecederam o primeiro turno, manteve as intenções de voto bem acima dos seus concorrentes.
Nem o PT, partido que afirma falar com a grande massa das classes de menor renda e com o apoio vigoroso de Lula, conseguia atrair os eleitores para Fernando Haddad. Todos estavam voltados para Russomanno. O candidato tinha construído sua carreira na televisão, mantendo contato diário com as pessoas (eleitores).
Tudo indicava para a vitória do apresentador, quando Fernando Haddad lançou a proposta do Bilhete Único Mensal. E passou a falar disso em toda a publicidade de campanha. Nesta hora, sobrou inteligência sobre a batuta de João Santanna, que organizava a campanha de Haddad, e faltou um contra ataque da assessoria de Russomanno. Ao invés de dizer que achava a ideia do Bilhete Único do Haddad boa e que iria aprimorá-la, alguém resolveu inventar um bilhete diferente para Russomanno, essa estratégia passava a nítida impressão de que, quanto mais a pessoa utilizasse o recurso, mais cara seria sua conta.
Os adversários se aproveitaram disso, e os eleitores das classes C e D - público que normalmente reside longe do trabalho - saíram voando dos braços de Russomanno para os de Haddad, que venceu as eleições. Enquanto Celso, que caminhava para uma possível vitória, nem para o segundo turno foi.
Por isso não adotemos a expressão marqueteiro político e sim inteligência no marketing político. Afinal, o prefeito de São Paulo, apesar de toda a força do PT e da capacidade de seu candidato, possivelmente seria Russomanno, caso alguém, com inteligência em marketing político, dissesse a ele que deveria concordar com a proposta de Haddad e que até iria aprimorá-la. E ponto final.
Este é um exemplo claro de como as classes C e D precisam ser conquistadas e mantidas. Qualquer ação que possa afugentá-las vai levar à perda das eleições. Outro ponto: todo candidato é cercado de muitos assessores, o que só atrapalha. Se quiser ganhar as eleições, trabalhe com poucas pessoas e mantenha distância dos interesseiros políticos.