
A religião sempre se colocou como uma parte de extrema relevância na vida de Carl Jung, em especial devido ao seu histórico pessoal onde seu pai, Paul Jung, exercia funções como pastor protestante. Em suas obras, a religião se faz muito viva, sendo um veículo indissociável em sua vida; deste modo, o pai da Psicologia Analítica desenvolveu uma série de alusões às religiões, mitologias e símbolos, estudando profundamente seus significados ocultos.
Na história bíblica do Jardim do Éden, referente ao “Mito da Criação”, há uma série de símbolos primários que podem ser interpretados sob a lente arquetípica junguiana. É importante considerar que, em suas análises, todos os símbolos possuem uma dimensão pessoal subjetiva, bem como uma dimensão arquetípica ou mitológica objetiva, logo, todos os símbolos podem ser analisados psicológica e espiritualmente.
Continue a leitura para conhecer os significados dos símbolos do Mito da Criação.
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A estrutura do Mito da Criação
A ‘História do Jardim do Éden’, também conhecida como ‘O Mito da Criação’, é relatada na bíblia, em Gênesis 2:4-3:24 e descreve a criação de Adão e Eva, os primeiros seres humanos desenvolvidos por Deus e alocados no Éden para viverem em harmonia e inocência.
Deus concede, então, a Adão a tarefa de cuidar de seu jardim, porém, com a condição de que não comesse o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Eva, por sua vez, criada a partir da costela de Adão, acaba por ser enganada pela Serpente e come do fruto proibido, oferecendo-o, também, à Adão, que o aceita.
Ambos, ao se alimentarem do fruto, adquirem conhecimento e se tornam conscientes de sua nudez, se envergonhando por tal. Como punição, Deus impõe sofrimento à mulher, fazendo com que sinta dor ao parir e se torne subordinada ao homem, e ao homem impõe o trabalho árduo e a maldição sobre a terra. Deus os veste com peles de animais e os expulsa do Jardim do Éden, proibindo que retornem com o auxílio de um anjo. O conto representa, simbolicamente, a transição da inocência para a condição humana de miséria, pecado, sofrimento e morte.
Os símbolos
Os símbolos centrais do Mito da Criação, isto é, da História do Jardim do Éden, são compreendidos na ideia de Deus, enquanto estrutura representativa de significância e crença, Jardim do Paraíso/Deserto, como a localização psicoespiritual, Serpente, significando o caráter do desejo humano, e o Fruto Proibido, representando o objeto do desejo. Entenda o significado aprofundado por trás de cada símbolo:
O Jardim do Paraíso
O Jardim do Éden, também conhecido como Jardim do Paraíso, simboliza, em primeira instância, um status, algo altamente idealizado. É, também, o estado da ignorância perante a certa verdade ou conhecimento que, quando encarado, pode ser perturbador. Além de tudo, representa uma ideia de bem-estar, reforçada por uma segurança previsível. Este espaço pode ser representação direta de um ambiente como uma casa, um relacionamento, ou um local onde o indivíduo experiencie inocência, beleza e segurança.
Deserto
O Deserto é o local relativo ao momento em que Adão e Eva são expulsos do Jardim, logo, simbolicamente, trata-se do local onde há a quebra da estrutura e da Lei, bem como representa o momento onde o cuidado de uma figura maior deixa de estar presente. O Deserto é um lugar onde há incertezas e dúvidas.
Deus
Deus possui diversos significados, tanto psicológicos, quanto espirituais, portanto, neste contexto, sua figura pode ser interpretada como a ideia de um poder supremo, uma figura representativa para os valores e para a moral, um sistema de crenças que orienta os seres humanos.
Serpente
A Serpete representa, simbolicamente, o conceito da sabedoria pois, como apontado em Gênesis, “ela era mais astuta do que qualquer animal do campo”. Entretanto, essa sabedoria, quando em excesso, pode levar à tentação. Além disso, pode também representar a energia libidinal e o impulso do desejo que, por sua vez, podem ser tanto criadores, quanto destrutivos.
Fruto Proibido da Árvore do Conhecimento
O Fruto Proibido pertence à Árvore do Conhecimento e simboliza, de forma direta símbolo do objeto de desejo, responsável por trazer a iluminação sobre algo ao conceder conhecimento e abolir a ignorância. Entretanto, este desejo traz consigo consequências graves, como por exemplo a expulsão permanente do Jardim.
A importância dos símbolos
Os símbolos bíblicos atuam no processo de reflexão sobre a estrutura do mito pessoal de criação onde há a ideia de uma “ferida primária”, que pode ser expressa em um trauma psicológico precoce e duradouro. Em muitos casos, este trauma relaciona-se aos pais e, muitas vezes, pode ser entendido como uma experiência de “castração”.
Quando aplicados os símbolos apresentados na figura de Deus, Jardim e Deserto, Serpente e do Fruto Proibido, é possível desenvolver uma análise reflexiva aprofundada sobre como tais representações influenciam diretamente na crença e nos desejos centrais, auxiliando no processo de cura da ferida primária.
Saiba como interpretar símbolos e mitos
Para saber identificar e interpretar mitos e símbolos de maneira adequada, é necessário contar com um ensino voltado para o exercício deste processo analítico. Para isso, um estudo aprofundado nas teses de importantes psicólogos aparece como a oportunidade ideal de aprendizado.
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